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Pensando-se em prevenção, talvez os fatores de risco sejam os fatos mais importantes a se conhecer de uma doença, pois assim podemos agir diretamente neles, reduzindo a chance de tal doença acontecer e, consequentemente, todos seus males. E sabemos que prevenir e evitar que uma doença ocorra é melhor que tratar uma já existente.

Importante sabermos também que existem os fatores de risco modificáveis e os não modificáveis. Claro que é importante saber sobre os não modificáveis, para conhecermos quais grupos que estão em maior risco, porém devemos agir com bastante ênfase nos modificáveis, pois como o próprio nome diz, podemos modificar esses fatores e essa nossa intervenção pode significar algo extremamente importante para os pacientes.

Entre os exemplos de fatores de risco não modificáveis estão a idade, o sexo a etnia; todos são fatores inalteráveis. Não podemos fazer com que uma pessoa diminua sua idade, por exemplo. A nossa característica como seres humanos é progressivamente envelhecer.

Entre os modificáveis estão a hipertensão e consumo de álcool, entre inúmeros outros. Apesar da hipertensão ser uma doença e às vezes de difícil controle, podemos sim, através de esforço conjunto entre médico e paciente, controlar os níveis pressóricos e diminuir o potencial efeito dela em situações graves como infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca e até mesmo o próprio acidente vascular cerebral.

Fatores de risco para o AVCh

Quando falamos de acidente vascular cerebral hemorrágico (AVCh), temos fatores de risco que contribuem significativamente para o desenvolvimento da doença, sendo facilmente observável que agindo nesses fatores conseguimos diminuir muito a ocorrência dessa tão grave patologia. Entre os fatores de risco estão: hipertensão, idade avançada, asiáticos e negros, ingestão alcoólica e hipocolesterolemia.

A ocorrência do acidente vascular cerebral pode ser devastadora, com prejuízos significativos para o paciente, levando desde sintomas leves até mesmo sequelas importantes que prejudicam o dia a dia, impactando muito na qualidade de vida que o paciente ira apresentar após o acontecimento do AVCh, até mesmo chegando a óbito.

É uma doença que afeta a saúde publica tanto por sua lata morbidade quanto mortalidade. Porém, mais grave ainda é quando o paciente, após sofrer um AVCh, consegue sobreviver e até ter uma boa recuperação tem um novo episódio de AVCh. Geralmente, o segundo episódio – a recorrência do AVCh – é bem mais grave, tendo efeitos mais devastadores no paciente que o episódio inicial, e justamente falaremos hoje sobre os fatores de risco para essa recorrência.

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De acordo com o guideline da American Heart Association (AHA) e da American Stroke Association (ASA) de 2015, podemos citar como fatores de risco mais importantes para a recorrência do acidente vascular cerebral hemorrágico:

  1. Hipertensão
  2. Idade avançada
  3. Localização da hemorragia inicial
  4. História de acidente vascular cerebral isquêmico

É importante saber que todo paciente que já apresentou um episódio de AVCh está mais sujeito a apresentar um novo episódio, sendo o risco cumulativo de 1 a 5% ao ano para essa população.

Outra informação importante é que o risco de desenvolver um novo AVCh para quem já teve um episódio é maior no primeiro ano apos o evento inicial, porém esse risco ainda se estende por anos, especialmente nos pacientes que tiveram um AVCh lobar.

1) Hipertensão: A hipertensão, especialmente as de difícil controle, é um fator de risco bem conhecido. Ela é importante tanto para as hemorragias profundas, associadas aos microaneursimas de Charcot-Buchard, quanto também para as lombares. Alem de ser importante na recorrência do AVCh, também é um importante fator de risco para o surgimento do primeiro episódio de AVCh, denotando claramente a relevância do seu controle.

2) Idade avançada: novamente um fator de risco importante tanto no episódio inicial quanto na recorrência.
Sua relevância está associada especialmente a três fatores: a alta prevalência de angiopatia amiloide cerebral na população nessa faixa etária, o uso de medicações antitrombóticas e a presença de varias comorbidades associadas. A angiopatia cerebral amiloide é especialmente importante para a recorrência do AVCh, principalmente em pacientes nos quais o primeiro episódio foi lobar.

3) Localização do 1º sangramento: em brancos, a maioria das hemorragias, tanto inicial quanto o 2º episódio, tendem a ser lobares, enquanto as hemorragias profundas, novamente iniciais e recorrentes, tendem a acontecer mais em asiáticos.

4) E, por fim, pacientes que já tiveram algum episódio de acidente vascular cerebral isquêmico, particularmente os do tipo lacunar: os acidentes vasculares cerebrais isquêmicos do tipo lacunar ocorrem em pequenos vasos e compartilham de uma patogênese comum com os hemorrágicos, por isso a associação entre a recorrência de um AVCh e eles.

Dentre todos esses fatores o mais importante é a hipertensão, que muitas das vezes é um desafio, sendo na sua maioria uma hipertensão de difícil controle em condições ideais, ainda mais quando pensamos num contexto de um paciente grave e geralmente com varias comorbidades.

Soma-se a isso o fato de ser deletério para o paciente tanto um quadro de hipertensão, pois pode levar a um novo AVCh, quanto também de hipotensão que já favorece o surgimento de uma isquemia devido a diminuição da pressão de perfusão cerebral, complicando ainda mais o manejo da pressão arterial nesses pacientes.

Porém, é um fator de risco modificável e devemos através de todos os esforços, da soma dos conhecimentos, realizando de uma forma interdisciplinar, procurar um controle desse fator e assim reduzir as chances de ocorrer um novo episódio de AVCh.